O Anjo e o Reino
Havia um anjo, que morava no alto de uma torre de um reino. O Rei deste reino, era muito austero com seus subordinados. Travava a todos com muita justiça, mas cobrava caro os erros de cada um.
Certa vez, acometeu-se de um erro grave, a própria filha do Rei. A sentença estabelecida para aquela ação, era o amputar das duas mãos.
Chegou o dia de executar a sentença, e o Rei se viu frente a todos, com sua filha à sua frente, na posição para a execução da sentença. O cortador já estava pronto para executa-la, quando o anjo falou na mente do Rei:
- Vê tua filha... ela está prestes a pagar pela tua austeridade...
O Rei, em sua mente, não entendendo a origem daqueles pensamentos, pensou em resposta:
- Mas eu não posso tratar diferente à minha filha, pois estaria indo contra as minhas próprias leis...
O Anjo disse-lhe, da mesma maneira:
- Talvez não possas fugir a teu caráter justo, se apenas a ausentares... mas você pode acabar com esta tua austeridade, a partir dela, e ninguém irá te questionar se fizeres isto para com todos...
O Rei, aturdido, olhava para sua filha e esta lhe olhava nos olhos. De sua face corriam lágrimas, e também nas faces do Rei.
Quando o cortador ia iniciar seu corte, o Rei gritou:
- Pare!! Não haverá mais estas punições, de agora em diante. Fica estabelecido, a partir de hoje, que não mais serão tão rígidas, as pagas pelos erros.
O cortador parou, todos se entreolharam e se dispersaram felizes com a boa nova.
À noite, quando o Rei dormia, ele se viu no lugar de sua filha, e no trono, estava um anjo. O cortador se preparava para cortar-lhe as mãos. Ele olhava para o anjo e este não dizia nada. Então o cortador desferiu seu golpe. O Rei gritou, ao sentir a dor, e chorou, de olhos fechados... Quando, porém, abriu seus olhos, suas mãos estavam lá. Ele então ouviu do anjo:
- Viu como tuas leis quase feriram a você e aos teus... Pois bem, bastava apenas que tu cessasse em julgar tão austeramente estes crimes... Por pouco não causara erros irreparáveis... Mas sempre a tempo para mudar...
Ao fim destas palavras, o Rei acordou assustado e olhou correndo para suas mãos. Elas estavam lá. Nunca ele as olhou com tanto cuidado e carinho.... Percorreu com profunda concentração, cada parte delas... suas linhas, seus dedos....
Pela manha, o rei mandou convocar todos aqueles que tinham sofrido com suas penas. Então, quando todos estavam presentes em seu salão, assim falou:
- Não posso devolver-lhes aquilo que lhes tirei... Mas quero que saibam, que sinto muito pelo que lhes fiz passar... Será dado a cada um de vocês, um quinhão de moedas, para que seus filhos possam progredir. E que isto sirva de marco para eles, da percepção do Rei, dos erros que acometeu para com seus pais...
Após aquele dia, este anjo deixou este reino e foi para outro, onde ele seria mais necessário...